topo

5 coisas que aprendi fechando minha empresa

Mais difícil do que abrir uma empresa é fechá-la. Quem empreende sabe que os nossos projetos são mesmo como nossos filhos. Eles passam por um período de gestação, nascem pro mundo, dedicamos muito amor, carinho, tempo. Perdemos horas de sono, finais de semana, festas com os amigos… Mas aquele orgulho e felicidade que dá de ver a criança crescendo não tem preço.

Ou melhor, tem sim. E às vezes é um preço bem alto. Ter uma empresa, além de todo o trabalho e dedicação, requer dinheiros. E por mais que você ame seu projeto é sempre o dinheiro o fator crucial no momento que você decide fechar uma empresa. Afinal, ninguém trabalha por esporte.

Durante 5 anos fui sócia do Ambiental Office, coworking fundado em outubro de 2011 pelo meu marido, Flávio Ferrer, aqui em Curitiba. Toda a ideologia que está por trás desse mercado colaborativo é apaixonante. Um modelo novo não só de trabalho, mas de economia, de cultura, de comportamento. Fomos uns dos pioneiros nesse mercado e sempre defendemos muito bem o nosso modelo de negócio. Vimos o segmento crescer no Brasil e também pudemos nos identificar com as dificuldades encontradas por todos os founders de espaços colaborativos espalhados pelo país.

No fim, fomos vencidos pelo cansaço e veio então a (difícil) decisão de encerrar esse ciclo e partir para os próximos desafios. Mas nada nessa vida é por acaso e todos esses anos dedicados à essa empresa nos renderam muitos frutos e muitos ensinamentos. Poderia ficar horas falando sobre tudo o que aprendi nesse período, mas vou listar aqui 5 coisas que aprendi e que acredito que são muito importantes em qualquer tipo de negócio:

1. Não dedique toda sua energia a um único projeto: 

Por mais que você acredite no que faz tenha sempre um horizonte estendido. Se você é empreendedor dificilmente está se dedicando a um único projeto/empresa e isso, por mais cansativo que seja, é muito bom. Assim você tem alternativas para o acaso e vai poder estar mais tranquilo para tomar decisões drásticas. Eu e o Flávio éramos um casal sócio da mesma empresa. Se o coworking fosse a nossa única fonte de renda nem sei o que os boletos lá de casa íam pensar… Seja dinâmico mas também tenha discernimento para não assumir mais do que consegue entregar.

2. Erre muito e erre rápido:

O quanto mais cedo você cometer erros, melhor para você. Não existe receita de bolo. O que dá certo pro outro nem sempre se aplica a você. Nós estávamos participando da construção de um novo tipo de mercado então não haviam muitos exemplos, estudos e referências. E isso foi maravilhoso. Porque assim a gente acaba perdendo um pouco o medo de arriscar e também tem a consciência de que se não der certo, não tem problema, o aprendizado é válido e na próxima podemos melhorar. Acreditar em uma ideia e insistir no erro também são coisas diferentes, então preste atenção.

3. Separe o profissional do pessoal:

Eu era (sou ainda em outros projetos) sócia do meu marido. Vocês têm noção o quanto isso pode dar errado? Além de acabar com a sociedade nós poderíamos acabar com o nosso relacionamento e a linha que separa o profissional do pessoal em um projeto que ocupava tanto das nossas vidas era muito tênue. Por mais maduro que o seu relacionamento seja, o grau de auto controle exigido em casos assim é extremo. E isso serve também para sociedades entre amigos, irmãos, pais e filhos… Você precisa colocar uma chavinha que desligue na hora que sai da empresa para que as discussões sobre trabalho não façam da sua vida pessoal um inferno. Eu e o Flávio sobrevivemos, mas olha não foi (e nunca será) fácil. Leve isso em consideração quando assumir uma sociedade com pessoas que você ama e convive diariamente.

4. Networking é fundamental:

Ninguém constrói nada na vida sozinho. Então esteja atento a todas as conexões que você pode fazer pois uma oportunidade bacana pode surgir em um bate papo informal. E isso eu falo com muita propriedade pois hoje a maioria dos projetos em que eu e o Flávio estamos envolvidos derivou de conexões que pudemos formar por meio do coworking. Se você tem uma empresa/projeto em que fica trabalhando sozinho você precisa sair, conhecer pessoas, ir em eventos, trabalhar de vez em quando em coworkings. As conexões movem o mundo, busque isso e você vai ver como tudo flui de uma maneira muito mais dinâmica.

5. Planeje o planejamento bem planejado:

Em resumo: planejamento é tudo. E quando ele não existe meu amigo, sinto muito mas você está ferrado. Quantas vezes tivemos ideias sensacionais e que tinham tudo pra dar certo que morreram por falta de planejamento. Não importa com o que você quer trabalhar. Coloque tudo no papel, trace metas, objetivos e principalmente: defina datas para realizar tudo isso. O principal é você não perder uma oportunidade por falta de planejamento, por medo de tentar ou por já ter tentado e não ter conseguido.

Por fim, tenha coragem, não desista e saiba se adaptar rápido. Empreender é muito louco e se você estiver preparado psicologicamente (e financeiramente também) vai amar muito tudo isso e nunca mais vai querer tirar a carteira de trabalho da gaveta.

Kelly Gequelim

Kelly Gequelim

Fotógrafa, publicitária, empreendedora, especialista em comunicação digital e apaixonada por histórias e pessoas. Acredito na colaboração, na conexão e nos novos modelos de trabalho. Juntos podemos construir a mudança que queremos no mundo. Juntos vamos sempre mais longe.

Deixe um comentário